Covid-19 um ano dramatico para os consumidores europeus

Portugueses sobrevivem com 5 a 10% do salário mensal após pagarem todas as contas domésticas

  • Estudo da Intrum indica que 55% dos portugueses não paga uma conta no prazo por falta de dinheiro

A Intrum acaba de lançar o seu mais recente estudo ECPR - European Consumer Payment Report 2020 realizado em plena pandemia, entre agosto e outubro de 2020. Este estudo tem por objetivo a partilha de informação sobre a vida quotidiana dos consumidores europeus, os seus hábitos de despesa e a capacidade de gerir as suas finanças domésticas mensalmente.
O ECPR 2020 conclui que, devido à pandemia COVID-19, 21% dos portugueses afirma que, após pagarem todas as suas contas domésticas, apenas lhes sobra entre 5 a 10% do seu salário mensal.

A turbulência económica deste ano está a pesar fortemente na mente dos consumidores e muitos viram diminuir o seu rendimento disponível. De acordo com o Barómetro Bem-estar financeiro Intrum, na categoria “capacidade de pagar as contas”, Portugal ocupa o 22º lugar no ranking de 24 países europeus, posicionando-se assim entre os três últimos países da classificação.

O estudo da Intrum revela ainda que os jovens adultos e os pais são os grupos etários que estão mais vulneráveis, encontrando-se sob grande pressão. Cerca de um terço dos europeus afirma que o seu rendimento diminuiu como resultado do COVID-19 e 25% admite que possa vir a diminuir em breve. Em Portugal, 49% dos homens dizem que o seu rendimento diminuiu na sequência da pandemia, um valor substancialmente superior à média europeia, que é de 36%.
Em Portugal, das medidas analisadas para responder a esta situação, a mais mencionada pelos inquiridos foi o corte de gastos em bens não essenciais (62%), valor este acima da média europeia (57%).

A preocupação com o futuro e o aumento do stress e ansiedade atinge cada vez mais os portugueses. As faixas etárias dos 22 aos 37 anos (61%) e dos 45 aos 54 anos (63%) afirmam estar, neste momento, mais preocupadas com o seu bem-estar financeiro do que em qualquer outro momento da sua vida.

Para Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum Portugal “A crise COVID-19 terá um impacto duradouro na capacidade de os consumidores europeus gerirem as suas finanças domésticas e a convulsão económica de 2020 está a pesar fortemente na mente dos consumidores. Muitos estão preocupados com o aumento das contas e com a impossibilidade de cumprirem com as suas obrigações financeiras, o que afeta o seu bem-estar. Ao mesmo tempo, os consumidores adaptam os seus estilos de vida às restrições impostas pelo confinamento e priorizam os diferentes tipos de contas. Em 2020 e neste momento, estão a dar prioridade a uma série mais vasta de contas do que em 2019, com especial incidência nos serviços que são bens essenciais.

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