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Dia Mundial da Saúde

Stress financeiro tem implicações na saúde mental dos portugueses

No Dia Mundial da Saúde, a Intrum divulga novos dados que evidenciam a forte ligação entre dificuldades financeiras e saúde mental em Portugal. A incerteza económica, os comportamentos de consumo impulsivo e a pressão das redes sociais estão a contribuir para níveis elevados de ansiedade e stress emocional entre os consumidores portugueses, com diferenças marcadas entre géneros e gerações.

Os dados revelados pela Intrum indicam que muitos consumidores recorrem ao consumo como válvula de escape para o stress. Por exemplo, 25% dos portugueses admite gastar dinheiro para se sentir melhor quando se sente stressado, ansioso ou aborrecido.

Já um em cada três portugueses (34%) admite fazer compras por impulso motivadas por publicidade nas redes sociais, geralmente para aliviar tensões ou ansiedade – embora este valor tenha diminuído em comparação com o ano anterior (era 40% em 2024).

Este decréscimo sugere uma ligeira mudança de comportamento, possivelmente relacionada com uma maior consciencialização dos riscos do consumo impulsivo. Ainda assim, o fenómeno permanece significativo, em particular entre as mulheres: 37% das consumidoras inquiridas no ECPR – European Consumer Payment Report, confessam já ter feito compras não planeadas após ver promoções online, face a 30% dos homens. Itens não essenciais são muitas vezes adquiridos numa tentativa de obter alívio emocional imediato, num padrão comportamental que pode levar a arrependimento posterior e agravar a saúde financeira.

A influência das redes sociais emerge como um fator importante de pressão financeira e desgaste emocional, sobretudo entre os mais jovens. Segundo a Intrum, 76% dos portugueses concordam que as redes sociais criam expectativas financeiras irreais, ou seja, padrões de vida aparentemente perfeitos que não refletem a realidade da maioria das pessoas. Essa comparação constante com padrões elevados tem consequências preocupantes: muitos consumidores sentem necessidade de acompanhar os estilos de vida que veem online, mesmo que isso pressione as suas finanças.

O estudo revela que 14% dos inquiridos afirmam que a pressão causada por influenciadores os levou a contrair dívidas, assumindo créditos ou despesas acima do que poderiam suportar para manter um determinado estilo de vida. Entre a geração mais jovem, este comportamento é ainda mais prevalente, com cerca de 19% da Geração Z a endividar-se para acompanhar influenciadores, refletindo maior vulnerabilidade deste grupo às tendências das redes sociais.

Mas é no Alentejo que a situação é mais alarmante, com 56% dos inquiridos a responderem que já se endividaram para poderem seguir os estilos de vida que seguem online.

As implicações a nível de saúde mental são igualmente preocupantes. Quase um quarto dos consumidores portugueses (24%) reconhece que a pressão para viver à altura do que vê nas redes sociais teve impacto negativo na sua saúde mental, causando sentimentos de inadequação ou ansiedade. Esta percentagem dispara nas gerações mais novas: quase metade (46%) da geração Z reporta uma deterioração da saúde mental devido à pressão social online. Ou seja, os jovens adultos são significativamente mais afetados emocionalmente pelas comparações constantes nas redes – muitas vezes sentindo-se “menos capazes” ou com ansiedade ao verem os padrões de consumo exibidos online. 

Já a nível regional, é novamente no Alentejo que se sente maior pressão, com 60% dos inquiridos a responderem que são afetados mentalmente pelo que vêm nas redes sociais.

Estes números sublinham a importância de promover um uso responsável das redes sociais e de educar para uma relação saudável com o dinheiro, imune a ilusões de riqueza ou sucesso irrealistas. 

Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum Portugal, salienta a ligação íntima entre a estabilidade financeira e a saúde mental dos consumidores. “As nossas finanças pessoais e o nosso bem-estar emocional andam de mãos dadas. Quando as pessoas estão preocupadas em pagar contas ou em como vão gerir as suas dívidas, isso gera um stress contínuo que afeta a sua saúde mental. Os dados da Intrum mostram que é crucial quebrar este ciclo através da educação financeira: ao dotar os consumidores de conhecimentos para gerir o seu orçamento e planeamento, ajudamos a prevenir o stress emocional ligado ao dinheiro.”.

A Intrum alerta que fomentar comportamentos financeiros saudáveis e realistas é fundamental para reduzir a ansiedade e construir um futuro mais estável, onde os portugueses possam prosperar sem comprometer o seu equilíbrio emocional.