Dia Internacional da Juventude
Jovens portugueses enfrentam futuro com ansiedade e insegurança financeira
69% da Geração Z afirma que o aumento do custo de vida teve um efeito negativo permanente no seu bem-estar financeiro
A juventude portuguesa enfrenta um cenário de fragilidade económica e emocional. Segundo o estudo da Intrum ECPR, a Geração Z (jovens entre os 18 e os 27 anos) destaca-se como o grupo geracional mais vulnerável financeiramente, acumulando sinais de ansiedade, falta de preparação e contenção nas decisões que moldam o futuro.
O impacto dos últimos anos é profundo e persistente: 69% da Geração Z afirma que o aumento do custo de vida teve um efeito negativo permanente no seu bem-estar financeiro. Esta é a geração mais afetada por este fenómeno em Portugal, onde a média geral é de 62%. Por outro lado, 46% dos inquiridos desta geração afirmam ter falhado o pagamento de contas por falta de dinheiro em 2025, um aumento significativo face aos 28% registados em 2024. Esta evolução revela uma crescente vulnerabilidade financeira, com impacto direto na estabilidade e autonomia desta faixa etária.
Este ambiente de instabilidade traduz-se numa perceção generalizada de insegurança. Mais de metade dos jovens (52%) admite sentir ansiedade sempre que acompanha notícias sobre a economia, um valor que os posiciona entre os mais sensíveis às flutuações económicas. Esta inquietação tem consequências concretas: 78% da Geração Z afirma sentir-se apreensiva quanto à possibilidade de realizar compras de elevado valor, como a aquisição de casa própria ou de um automóvel, o valor mais elevado entre todas as faixas etárias analisadas.
Apesar desta preocupação, os jovens revelam sinais de responsabilidade financeira: 71% da Geração Z afirma estar a constituir um fundo de emergência para se protegerem em caso de perda de rendimento. No entanto, apenas 51% indicam ter capacidade para suportar uma despesa inesperada de 400 euros, evidenciando um desfasamento entre a intenção de poupança e a capacidade efetiva de absorver choques financeiros.
Outro fator que contribui para este cenário é o papel das redes sociais, cuja influência ultrapassa o plano comportamental e entra no domínio emocional e financeiro. 34% admitem ter feito compras por impulso após exposição à publicidade digital e, mais preocupante ainda, 19% dos jovens contraíram dívidas para manter padrões de consumo influenciados pelo que veem online. O impacto na saúde mental é inegável: 46% da Geração Z reporta consequências negativas derivadas da constante comparação nas plataformas digitais.
Acresce ainda um problema estrutural: a falta de preparação formal para lidar com estas pressões. Menos de metade dos jovens (46%) afirmam que os pais lhes deram uma boa educação financeira, apenas 13% da Geração Z afirma ter aprendido a gerir dinheiro na escola, e embora 35% digam ter discutido temas financeiros em casa, este tipo de aprendizagem informal não parece ser suficiente para garantir a autonomia e resiliência financeira dos jovens.
De acordo com Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum “a Geração Z está a crescer num ambiente marcado por instabilidade, pressão social e ausência de ferramentas estruturadas para lidar com a sua realidade financeira. Neste Dia Internacional da Juventude, é fundamental reconhecer que o futuro destes jovens depende do apoio que recebem hoje. Só com literacia financeira, políticas direcionadas e apoio emocional será possível prepará-los para decisões conscientes e sustentáveis.”
O estudo ECPR 2025, da Intrum, mostra que a juventude portuguesa vive num estado de alerta constante, adia decisões fundamentais e enfrenta dificuldades para construir uma base económica sólida. Promover a sua resiliência financeira e emocional é mais do que uma meta, é uma urgência.