Dia Mundial das Redes Sociais
Redes sociais promovem padrões de vida irrealistas
Um em cada quatro portugueses sente-se mal por não acompanhar estilos de vida online
No Dia Mundial das Redes Sociais, que se celebra hoje, dia 29 de junho, a Intrum revela que quase um quarto dos consumidores portugueses (24%) admite que o conteúdo que vê nas redes sociais os faz sentir-se mal consigo próprios ou com o seu estilo de vida. Esta perceção reflete o peso crescente da comparação digital e o impacto que o mundo online está a ter na saúde emocional e no bem-estar financeiro dos portugueses.
De acordo com o ECPR – European Consumer Payment Report, os hábitos de utilização das redes sociais diferem entre os diferentes grupos socioeconómicos, com o estudo a indicar que adolescentes de famílias com menor rendimento são mais propensos a referir comportamentos aditivos. O aumento da utilização das redes sociais entre consumidores de baixo rendimento pode estar a conduzir a gastos problemáticos. O inquérito realizado revela que os consumidores classificados como “Frágeis” são os mais propensos a fazer compras por impulso e a contrair dívidas na tentativa de acompanhar os estilos de vida de influenciadores.
O bem-estar destes consumidores é também o mais afetado. Cerca de quatro em cada dez (38%) afirmam que os padrões de vida de influenciadores prejudicaram a sua saúde mental (média EU 41%), comparado com 19% dos consumidores financeiramente classificados como “Resilientes” (média EU 22%). Não são apenas os níveis de rendimento que influenciam a utilização das redes sociais. O estudo mostra que os consumidores mais jovens, são mais afetados negativamente do que as gerações mais velhas. Cerca de um quinto (19%) da geração Z afirma ter-se endividado tentando replicar estilos de vida que veem nas redes sociais e quase metade (46%) reporta uma deterioração da saúde mental.
O estudo realizado revela ainda que 76% dos portugueses consideram que as redes sociais promovem expectativas financeiras pouco realistas, uma percentagem acima da média europeia (70%). A exposição constante a estilos de vida idealizados e consumos aparentes alimenta sentimentos de inadequação e insegurança, gerando um ciclo de frustração que compromete decisões financeiras equilibradas.
As redes sociais não afetam apenas o estado emocional, também têm um impacto direto nos comportamentos de consumo. De facto, 34% dos portugueses afirmam ter feito compras por impulso após ver publicidade nas redes sociais. Ainda assim, este valor representa uma diminuição face a 2024 (40%), o que sugere que os consumidores portugueses estão hoje mais cautelosos nas suas decisões de compra online. O estudo refere ainda que 14% dos consumidores portugueses afirmam que a pressão causada pelos influenciadores os levou a contrair dívidas.
Esta dinâmica torna-se ainda mais preocupante com a crescente adesão a soluções como o “Compre Agora, Pague Depois” (BNPL). Em Portugal, 31% dos consumidores admitem sentir-se mais inclinados a comprar quando esta opção está disponível, o que pode aumentar o risco de endividamento — sobretudo quando se trata de compras não essenciais. Esta tendência é ligeiramente mais acentuada entre os homens (32%) do que entre as mulheres (30%).
A nível regional, destaca-se uma menor influência desta modalidade no Algarve (24%) e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores (25%), onde o impacto do BNPL na propensão de compra é inferior à média nacional.
Segundo Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum Portugal, “a exposição constante a padrões de vida idealizados gera sentimentos de exclusão e frustração entre os consumidores, com reflexos na autoestima e no bem-estar financeiro. No Dia Mundial das Redes Sociais, é essencial reconhecer o impacto real do ambiente digital nas decisões de consumo, nos níveis de poupança e até na saúde mental”.