Pagamentos fora do prazo agravam-se entre os consumidores portugueses
Consumidores que pagaram entre duas e quatro faturas fora do prazo, subiu de 10% para 17% num ano
Estudo da Intrum revela que consumidores que pagaram entre duas e quatro faturas fora do prazo, subiu de 10% para 17% num ano. Custo de vida, despesas inesperadas e a perceção de estagnação salarial continuam a pressionar os orçamentos familiares.
A percentagem de consumidores portugueses que pagou entre duas e quatro faturas fora do prazo aumentou de 10% em 2025 para 17% em 2026, uma subida de sete pontos percentuais num ano. De acordo com o ECPR - European Consumer Payment Report Portugal 2026, divulgado pela Intrum, os resultados evidenciam um agravamento dos indicadores de cumprimento dos prazos de pagamento, apesar da melhoria da confiança dos portugueses relativamente à sua capacidade financeira.
O estudo revela ainda que 24% dos consumidores portugueses pagaram pelo menos uma fatura fora do prazo nos últimos 12 meses, acima dos 22% registados em 2025. Em paralelo, a percentagem de consumidores que afirma pagar as suas contas atempadamente diminuiu de 77% para 75% no mesmo período.
Estes resultados mostram que os atrasos no pagamento de contas continuam a afetar uma parte significativa dos consumidores portugueses, com um aumento da proporção dos que reportam vários pagamentos fora do prazo. A evolução reforça a importância de compreender os fatores que condicionam o cumprimento dos compromissos financeiros, distinguindo as situações de dificuldade económica de outros motivos que podem estar na origem dos atrasos.
Custo de vida pesa mais nas dificuldades de pagamento em Portugal do que na média europeia
O elevado custo de vida continua a ser um dos principais fatores de pressão financeira entre os consumidores portugueses que enfrentam dificuldades para cumprir os seus compromissos de pagamento, com um peso superior ao registado na média europeia.
Segundo o ECPR, 59% destes consumidores apontam o custo de vida como uma das principais causas das suas dificuldades financeiras, acima dos 50% registados em 2025 e da média europeia de 43%. Os resultados revelam ainda que 46% (PDF, pág. 12) dos consumidores com dificuldades de pagamento identificam as despesas inesperadas como um dos principais motivos, face aos 43% registados no ano anterior e à média europeia de 31%. Por sua vez, 38% apontam a perceção de estagnação dos salários como uma das causas das dificuldades financeiras, valor superior aos 34% registados em 2025 e à média europeia de 28%.
Os dados mostram que o custo de vida, as despesas inesperadas e a perceção de estagnação salarial continuam a condicionar a capacidade financeira dos consumidores que enfrentam dificuldades de pagamento, com os três fatores a apresentarem, em Portugal, valores superiores às respetivas médias europeias.
Geração X e famílias com crianças apresentam maior fragilidade financeira
O estudo revela também que a resiliência financeira está distribuída de forma desigual entre os consumidores portugueses, com diferenças relevantes entre gerações e perfis sociodemográficos. A Geração X apresenta a maior proporção de consumidores classificados como financeiramente frágeis, com 25%, acima dos 15% registados entre os Baby Boomers, dos 14% dos Millennials e dos 13% da Geração Z.
A vulnerabilidade financeira também assume maior expressão entre determinados perfis da população. Segundo o relatório, 23% dos consumidores pertencentes a agregados familiares com crianças são classificados como financeiramente frágeis, uma percentagem que se situa nos 20% entre as mulheres.
Estes resultados evidenciam que a capacidade para gerir os compromissos financeiros não é igual para todos os consumidores. As diferenças entre gerações e perfis familiares poderão estar associadas a distintas fases da vida e níveis de compromissos financeiros, embora estas relações não tenham sido diretamente analisadas no estudo.
Ainda assim, no conjunto da população portuguesa, a percentagem de consumidores classificados como financeiramente frágeis diminuiu de 26% em 2025 para 17% em 2026, evidenciando uma melhoria global da resiliência financeira que não elimina, contudo, as diferenças existentes entre os vários grupos.
Confiança financeira dos portugueses aumenta apesar dos atrasos nos pagamentos
Apesar do aumento dos indicadores de pagamentos fora do prazo, o estudo revela uma evolução positiva da confiança dos portugueses relativamente à sua capacidade para cumprir os compromissos financeiros.
Segundo o ECPR, 79% dos consumidores portugueses acreditam conseguir pagar todas as suas contas mensais, acima dos 71% registados em 2025. Paralelamente, 80% afirmam ter capacidade para assegurar as despesas essenciais, como alimentação e combustíveis.
A capacidade para enfrentar despesas inesperadas também apresenta uma melhoria significativa. Atualmente, 70% dos consumidores portugueses consideram conseguir suportar uma despesa imprevista de 400 euros sem recorrer ao crédito, face aos 57% registados no ano anterior.
Os resultados do European Consumer Payment Report 2026 revelam, assim, uma realidade financeira marcada por tendências distintas. Por um lado, os consumidores portugueses demonstram maior confiança na sua capacidade para cumprir os compromissos mensais e enfrentar despesas inesperadas. Por outro, os atrasos nos pagamentos continuam presentes, enquanto o custo de vida e a pressão sobre os rendimentos representam obstáculos para os consumidores com maiores dificuldades financeiras.
Segundo Luís Salvaterra, Diretor-Geral da Intrum Portugal, «os resultados do European Consumer Payment Report 2026 reforçam, assim, a importância de promover uma gestão financeira sustentável, bem como soluções de pagamento adequadas à capacidade de cada consumidor, de forma a evitar que dificuldades pontuais de liquidez se transformem em situações de maior vulnerabilidade financeira».